Malditas audiências e maldito ambiente

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Se a memória não me falha foi Cristina Ferreira quem declarou, pouco depois de regressar à TVI, querer ver este canal a ultrapassar a SIC, em termos de audiências (share diário), no início do mês de Janeiro. Trabalhou para isso como bem entendeu, mas não foi lá. Até ver, falhou rotundamente. Entre 1 e 9 de Janeiro não ganhou um único dia*. Naquele período, a TVI apenas mordeu os calcanhares da SIC nos dias 3 (domingo), quando ficou a cinco décimas (17,6% para a SIC, 17,1% para a TVI) e 4 (19,7% contra 19,3%). Nos restantes dias, as derrotas da TVI variaram entre os 0,8% e os 4,2%. São vários os dias em que a SIC consegue colocar 4 entre os 5 programas mais vistos, com destaque para as telenovelas, Jornal da Noite, Isto é Gozar com quem Trabalha e um ou outro debate relativo às eleições presidenciais. Nos dias 6 e 7 a TVI não consegue, sequer, colocar um único programa entre os cinco mais vistos. Os 4 primeiros pertencem à SIC e o 5º é o Preço Certo (RTP).

O que vai safando a TVI, embora de forma muito aflitiva, é o Jornal das 8, a telenovela Bem Me Quer e há um dia em que o Big Brother aparece em 4º lugar, entre os mais vistos. A RTP anda com uma share média diário a rondar os 12%. A televisão pública tem, de longe, a melhor programação. As audiências valem o que valem e o País é o que é.

Contas feitas ao ano de 2020, a SIC liderou com 20,2%, face a 15,2% da TVI. Em Novembro e Dezembro a TVI consegue uma ligeira redução da distância, recuperando quatro décimas. De Nuno Santos, director-geral da TVI, não se ouve nem um pio. Calado como um rato. Há-de andar com uma fezada…

A SIC vai-se segurando (recuperou a liderança por via de Cristina Ferreira, há cerca de dois anos)) e a TVI tarda em reganhar.  Neste clima de guerra aberta, em que a SIC parece apostada em vender cara a derrota, a TVI vai roubando, na área da Informação, figuras de proa do canal de Balsemão. Nos últimos dias saíram da SIC para a TVI jornalistas respeitados como Joaquim Franco e Sara Pinto, que na estação de Queluz deverá substituir Pedro Pinto na condução do Jornal das 13. Jornalistas respeitados porque civilizados e competentes. Presumo que nunca os ouviremos falar sobre as razões da transferência. São saídas associadas a um clima de grande desencanto com o funcionamento da Informação da SIC, onde há dificuldades em perceber um rumo. Boa parte dos jornalistas da SIC nunca percebeu nem aceitou a sub-direcção nomeada para a Informação (Pedro Cruz, Bernardo Ferrão e Marta Brito dos Reis). No momento em que escrevo estas linhas foi anunciada a saída de Pedro Cruz da SIC. Não se demitiu do cargo. Saiu da estação.  Ainda são desconhecidas as razões da saída. Na Informação, as direcções, para se manterem, têm de ter o respeito das redacções. Quando o ambiente fica inquinado, mais tarde ou mais cedo as coisas têm de ser clarificadas. É um princípio sagrado. Há não muito tempo a redacção da SIC apontou o caminho da saída a alguém que por lá andava a criar um clima pesado. O pobre coitado nem percebeu o que lhe aconteceu.

À administração da SIC convirá identificar, com brevidade, quem por lá anda, embora sem cargos de direcção, a envenenar o ambiente. Alguém tem de o fazer. Alguém tem de pôr ordem na casa.


*Fonte – Público, Os Mais Vistos da TV.

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