Mais uma pedrada, antes de…

- Preso a decisões tardias e contraditórias, com a economia de rastos e um pico pandémico terceiro-mundista, Portugal encontra-se hoje atolado num dos piores “pântanos” da sua quase milenar História e à mercê de “políticos” que falam e falam, sobre tudo e coisa nenhuma, sem nenhum rumo apontar...

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Hoje, à meia-noite, finda a campanha eleitoral para as presidenciais, manda a lei que se observe um “período de reflexão”. A viver tempos infames, já nem coro de vergonha por ser representado por gente que, para combater a corrupção na Europa, tem a lata de falsificar os currículos dos candidatos. Isso é rosário com muitas outras contas, já por mim desfiado nas presidenciais de 2016.

Centremo-nos antes no “herói” dos telejornais desta tarde, alguém que tardiamente se integrou na política e que entra ao serviço sempre que as “barbies” caiem em descrédito. Mas pode algum português sério, em quadro de catástrofe e juízo perfeito, acreditar que a opinião dos políticos deve sobrepor-se aos especialistas?

O “responsável” que hoje aponto, médico cirurgião ao serviço de uma alta governação, que naturalmente inclui o atual PR, personaliza uma das mais incríveis histórias desta pandemia: quem ignora que foi receber, em finais de março, com pompa e circunstância e nenhuma proteção sanitária, no aeroporto de Lisboa, o primeiro português infetado pelo coronavírus? Um “pexinho” da minha querida vila da Nazaré que, em dois minutos inesquecíveis de televisão, transmitiu mais “ciência” do que todas as nossas autoridades haviam feito, até aí?  

Dias depois, norteado pelo rigor técnico-científico dos seus conselheiros, e já com a pandemia instalada em Portugal, também o PM havia de visitar um hospital de referência, em Lisboa, acompanhado de dezenas de emplastros e tudo a monte. Para quê a proteção da máscara se, garantia o ilustre Diretor do Serviço, por ali não havia “cheiro” de Covid?

Uma exposição de extrema ignorância que me obrigou a publicar uma crónica – O burro sou eu? – em que escrevi: António Costa, pára, escuta e olha! No final, vais ser acusado de tudo e mais…

Profusamente distribuída essa nota pela OM, pelo SIM, por centenas de profissionais, dezenas de sites e alguns jornais regionais, a única reação “digna” que recebi foi a de um “jornaleiro” do “Correio da Manhã” que, confinado em casa, me sugeriu que parasse de o chatear… porque o burro era mesmo eu.

E assim chegámos a novas eleições, sem que milhões de portugueses “excluídos da cidadania”, como eu, tivessem construído uma alternativa credível, capaz de inverter este ciclo de decadência. E o sistema por aí está hoje, omnipresente e sem soluções, representado por cinco retrógrados partidos mais uma novidade, esta uma emenda ainda pior que os sonetos.

Restam dois “poetas”, candidatos autistas e autenticamente fora do sistema. Refiro-me a Vitorino Silva – que Miguel Torga consideraria culto, por bem conhecer a “cultura da batata” – e Tiago Gonçalves, um “passarinho da ribeira, que não é meu inimigo”.

Neste fim de tarde, como raramente em toda a minha vida, estou determinado a ir votar no próximo domingo. Sobretudo porque há candidatos que, sem atingirem a percentagem para serem subvencionados, assumem a coragem de entrar na liça “à borla”.

Pertencendo ao grupo de risco, fortes certezas me animam: chova ou faça sol, mas com a “despesa” que os meus descendentes têm pela frente, e perante o enxovalho que Portugal vai sofrer, qual é a dúvida em sair de casa… ainda que corra o risco de morrer sem conseguir uma segunda volta?

Boa sorte, portuguesas e portugueses.

E viva Portugal!

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