Mudam os tempos e não muda o rumo?

- Com este navio que é Portugal à deriva por águas turbulentas, e rodeado de tubarões, manda a razão que deitemos contas à vida…

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Após um período de confinamento físico e espiritual, regresso ao “convés” com uma “declaração de interesses”: nasci em Portugal, sou português e, depois de muita volta ter dado, nem imagino outra nau em que possa embarcar.

À prova de enjoos e de alma larga, resta-me acrescentar que nunca apreciei velhos de Belém. No entanto, perante o temporal mais ameaçador da nossa História recente, e confirmadas graves falhas na marinhagem, recordo a sina de Camões, alegada vítima de uma pátria, a nossa, mãe de vilões ruins e madrasta de homens honrados.

Mudaram-se os tempos e mudaram-se as vontades, a forte gente acumulou vitórias e sobreviveu a fracos reis, mas nunca deixou de cumprir sãs tradições: manda o Natal que se reflita sobre 2020 e se projete um Ano Novo Feliz.

Um exercício hoje particularmente difícil, que nos obriga a discorrer sobre os mares que cruzamos, e o conserto de que o nosso navio precisa, para chegar a porto seguro..  

O mundo pula e avança e o grande sobressalto até começou com os portugueses, ao “inaugurarem” a globalização. Foi então que o “conjunto europeu” se espalhou pelo planeta, impondo uma “ordem internacional”, afinal uma “extensão” do antigo Império Romano do Ocidente. Com a vertigem do século passado, também nada de substancial se alterou: embora rivais, os EUA e a Rússia pertenciam a essa mesma “família”. Até que, no presente milênio, toda essa “ordem” se alterou, de súbito varrida pelos ventos de uma China que, sob férrea direção, semeia nova cultura e outros valores pelo planeta.

E é assim que, atualmente, um furacão político e económico sem precedentes atinge o coração duma Europa desagregada, decadente e sem liderança, incapaz de unir esforços na defesa da sua cultura e do seu tecido económico-social. Pelo contrário, prisioneira de uma descolonização insensata, permite até que o Islão “canibalize” países-chave – como a França, a Inglaterra, a Suécia e a Bélgicas – onde os Estados já nem controlam parcelas do seu próprio território. “Balcanização” que faz prever ondas ainda mais fortes nos próximos tempos, com o avolumar de tensões e populismos. Perante esta amarga “meteorologia”, não esperemos bom vento nem auspicioso casamento com a Europa, enquanto a China continua na blindagem dos nossos lemes…

Após um curto “cruzeiro” pelos revoltos oceanos exteriores, lance-se agora a vista pela tempestade perfeita que se abateu sobre Portugal. Preocupados, certamente, com o amontoar de passageiros que, sem luz nem esperança, se debatem no porão de um navio que, desde há décadas, não cessa de meter água:

– no social, perante o risco de colapso da SS e o visível desmoronar do SNS;

– no económico, em que se asfixiou a produção interna e se promoveu a venda de Portugal à China, tendência que a pandemia ainda mais evidenciou;

– no Direito, com a Justiça refém da “vilanagem” que prossegue uma obscena pilhagem dos nossos recursos naturais e humanos; 

– e, não menos importante, nas artes e cultura, abastardadas por imbecis que focam as suas paranoias em eutanásias, ideologias do género, barrigas de aluguer, racismos, cincos gês e uniões de facto, em desprimor das verdadeiras questões…

Face à iminência de naufrágio, recomenda o bom senso que o nosso navio procure aliviar carga excessiva e redefina melhor rota: debate que os interesses dominantes procuram evitar, exibindo um mundo irreal: para a primeira e segunda classes, a principal dificuldade centra-se nos restaurantes que podem frequentar… dias e horas; enquanto à “maltosa” da terceira se promete equidade na “bicha” da vacinação contra a pandemia; quanto ao “gado” que segue no porão… até o PAN o despreza.

Uma viagem tenebrosa, face ao saque que se adivinha na aplicação dos biliões das “ajudas” europeias, enquanto quem dirige este navio corrói o Tribunal de Contas e avança no controlo da PJ, a quem compete combater os crimes de corrupção.

Sempre alerta, nunca farei parte dos “vencidos da vida”. Por vezes só, o mais das vezes com demasiada gente a dormir, este “gajeiro” não dorme e gritará de pé, enquanto puder:

– Contra os figurões… marchar, marchar!….

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