Matamos quem nos quer salvar!

0
3878

Recebi já o postal de Natal do Doutor Jorge Paiva, do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra. Paladino da biodiversidade, que, o ano passado, nos brindou com o livro Natal Verde, colectânea dos postais enviados ao longo de 30 anos, Jorge Paiva pôs, este ano, bem fundo, o dedo na chaga por que estamos a passar.

Fiquei estupefacto, digo desde já. Sabia que as árvores eram importantes, pelos mais variados aspectos: a beleza, os frutos, as essências que das suas folhas se podem extrair, o oxigénio que fornecem… Enfim, mil e uma razões para as protegermos. Agora, que nelas vivam seres ultramicroscópicos – os mixomicetes – fundamentais para o equilíbrio da espécie humana jamais me passaria pela cabeça!…

Eu conto o que o Professor nos diz no seu postal natalício: os mixomicetes vivem nas florestas, quer na manta morta quer na superfície das plantas; assim, quando se abate uma árvore, matam-se também os mixomicetes, cujo alimento (pasme-se!) são microrganismos como leveduras, fungos, bactérias, vírus… E agora veja-se:

HIV / SIDA: a sida surgiu na floresta da África Tropical. Os culpados? Os macacos. Mas… não estariam esses macacos cheios dos vírus que a ausência dos mixomicetes das árvores derrubadas deixou proliferar?

ÉBOLA: esta febre hemorrágica também nasceu na África Tropical, causada por vírus que deviam ter sido comidos pelos mixomicetes – e não o foram, porque a floresta o Homem a foi desbastando…

COVID-19: também se diz que foram os morcegos que a transmitiram ao Homem, porque portadores do vírus Betacoronavírus… que a ausência de mixomicetes deixou proliferar!

Temos apenas 20% das florestas que existiam quando o Homem surgiu na Terra. E é nesta Terra, conclui o Doutor Jorge Paiva, que «temos vindo a dizimar predadores de microrganismos, que podem vir a ser agentes de novas enfermidades letais e que não vamos poder controlar».

Sem florestas, a Terra tornar-se-á inabitável para os seres humanos.

                                                                                        

( o autor publicou igualmente esta crónica em http://notascomentarios.blogspot.com )

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here