A matança que as televisões omitem

Moçambique sob ameaça de ocupação islâmica.

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É um tema que passa ao lado da grande actualidade nos écrans de televisão das grandes cadeias tanto internacionais como nacionais. De vez em quando lá surge uma notícia de mais um assalto de militantes jihadistas a uma aldeia do norte de Moçambique, apresenta-se a contabilidade dos mortos, eventualmente um correspondente local repica o que o apresentador já disse e…passa-se à frente porque há os “enlatados” das agências prontos a consumir que dão muito jeito para mobilar um noticiário.

A fraternidade entre os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) tantas vezes exaltada em cómodas reuniões cujo resultado prático é igual a zero, na base do “tudo tratado, nada resolvido”, e a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) que aos costumes diz nada parecem adormecidas enquanto, no norte de Moçambique, distrito de Cabo Delgado, populações indefesas são vítimas da brutalidade de invasores fanáticos que decapitam e esquartejam pessoas indefesas em nome de um deus carniceiro que não o da religião que eles dizem seguir. A nível africano a SADC (Comunidade dos Países da África Austral) do alto dos seus cadeirões, usa voz grossa e simplesmente faz um esforço para condenar os ataques ao Norte de Moçambique. Das Nações Unidas vem outra pungente condenação pela voz do seu Secretário-geral António Guterres. Nos noticiários das televisões…o futebol passa à frente.

Até ao passado dia 21 de Novembro deste ano de 2020 estavam contabilizadas 2.367 vítimas mortais num total de 698 casos e 435 mil deslocados, segundo a ACLED, uma organização que contabiliza os dados dos conflitos armados no mundo.

Segundo observadores internacionais membros de organizações não governamentais e até os próprios Médicos Sem Fronteiras, os atacantes das várias aldeias do norte de Moçambique fazem parte de um agrupamento designado Ansar Al-Sunna com ligações ao Daesh, o autodesignado Estado Islâmico.

As suas acções militares já se alargaram à vizinha Tanzânia seguindo a tendência de ocupação de África como acontece em vários países africanos – Nigéria, Niger, Somália, Senegal, Guiné-Conakri, Congo, onde o Isis anunciou recentemente o nascimento do Estado Islâmico da África Central (Iscap).

O Al-Sunna foi criado em 2015 e em dois anos iniciou as suas actividades terroristas em 2017. Invadem, amedrontam, matam, catequizam jovens prometendo-lhes um futuro dourado, e desaparecem deixando um rasto de sangue. Exploram o Islão e vivem do saque mantendo uma presença territorial. Pretendem instalar um Califado. Especialistas admitem que, se não houver uma acção concertada para barrar a escalada, dentro de 18 meses poderá assistir-se a uma escalada dos ataques.

As forças militares moçambicanas fazem o que podem para defenderem as povoações martirizadas, enfrentam os terroristas mas também se deparam com milícias armadas, não identificadas.

Em desespero de causa, o Governo moçambicano pediu ajuda à União Europeia que irá proporcionar o fortalecimento da capacidade de resposta de Moçambique não com ajuda militar mas com formação, logística e serviços médicos no sentido de reduzir o grande drama sanitário que se vive na região mártir.

Por outro lado, o Zimbabwe concordou em ajudar Moçambique sob condição de os Estados Unidos levantarem as sanções económicas contra o país. A Rússia enviou um contingente de “conselheiros militares” em Setembro do ano passado.

Entretanto, os atacantes usam todos os estratagemas para se abastecerem em armamento, como se depreende da prisão em Dezembro de 2019 de uma tripulação de 12 iranianos que pretendiam desembarcar 1.500 quilos de heroína na costa de Cabo Delgado. Acabaram por ser acusados de terrorismo por, alegadamente, transportarem também espingardas de assalto AK47 destinadas ao grupo terrorista.

Como nota final convém assinalar a importância de Cabo Delgado onde a americana EXXON Mobil e a francesa TOTAL vão explorar gás natural por via de um contrato de 42,6 milhões de euros.

Fontes: Expresso, ACLED, Dr. Bulama Bukarti, Pinnacle News.

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