Velhos são os trapos

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Já pensou em estar 30 anos sem fazer nada? É o que lhe vai acontecer, se a esperança de vida continuar a subir em Portugal. Atingirá os 90 anos. E é possível que a idade da reforma volte a baixar, para os 60 de idade como em França. É bom, mas é preciso tornar os dias úteis para si e a sociedade. Estar parado é uma chatice de morte, mata mesmo, como todos sabemos. Pode ser também um embaraço vergonhoso ter a sensação de inutilidade.

Em média, a esperança de vida em Portugal está a aumentar um ano, por cada 4 anos que passam. Os dados são do Serviço Nacional de Saúde. As mulheres atingem já os 86 anos e os homens os 83, sem grandes problemas. Claro, os medicamentos prolongam ainda mais a vida dos portugueses (haja dinheiro para pagar a farmácia). Entre 2008 e 2010 a esperança de vida era de 81 anos. Nos próximos 12 anos, será fácil atingir os 90 anos. Mas será difícil ocupar tanto ócio. A tendência nas sociedades europeias é baixar a idade da reforma. Há cada vez menos trabalho, devido à automatização e deslocalização.

É preciso dar  trabalho à juventude e dar ocupação produtiva  a quem se reformou. Os nossos jardins estão cheios de pessoas tristes e marginalizadas pela idade. A indústria, o comércio e os serviços têm de aproveitar esta mão-de-obra cheias de saberes, que foi feliz a trabalhar. Ninguém quer verdadeiramente passar os últimos anos da vida sentado num sofá, no banco do jardim ou, pior, na cama de um hospital.

Além da questão lúdica há a questão económica. Algum Governo tem de fazer alguma coisa de concreto para combater a tendência para o empobrecimento dos reformados. O Estado deveria assumir a responsabilidade de aproveitar este imenso recurso humano de modo eficaz e eficiente. Quando não há médicos ou enfermeiros em número suficiente nos hospitais públicos, a Lei deveria permitir a contratação por tempo determinado de reformados ou desempregados dessas áreas profissionais. A mesma lógica se aplica a todas as outras áreas profissionais, desde o Ensino à Administração Pública. Se o Presidente da República ou um presidente de Câmara Municipal pode ser eleito tenha a idade que tiver, não deveria haver qualquer razão que impedisse um técnico administrativo, por exemplo, de continuar a trabalhar também.

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