Vamos viajar em comboios-sucata

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Vamos viajar em sucata ferroviária. Já em Dezembro. São 51 carruagens compradas a Espanha e custarão 9 milhões de euros. O ministro das infra-estruturas considera ser um bom negócio, depois de descontaminadas do amianto cancerígeno.

Os portugueses já tiveram a Sorefame, empresa com 13 600 trabalhadores. Fabricava do melhor material circulante ferroviário no mundo. A Bombardier Internacional acabou por absorvê-la. Cavaco Silva elogiou, dizendo que seria uma mais-valia. Viu-se. A Sorefame fechou portas e quiseram torná-la num terreno de especulação imobiliária, com a estação de Metropolitano da Venda Nova à porta.

É notável como votámos no homem mais-sério-de-todos-os-sérios, que arrasou as pescas, a agricultura e a indústria. Duas maiorias absolutas. Duas vezes Presidente da República. Casa em Vale da Coelha e o Pavilhão da Expo nas mãos do genro.

O Governo exulta agora com o negócio da sucata. Claro, Espanha é burra, vendeu as 51 carruagens ao desbarato. Está-se mesmo a ver. A nossa política tem sido colocar as nossas empresas nas teias internacionais e depois… zás! Foi assim com a Covina, agora St. Gobin ou com a Lisnave, que quer ser um projecto imobiliário em cima das docas de Cacilhas.

O bom negócio, senhor ministro das Infraestruturas, era pôr a Sorefame a funcionar. Dar trabalho a 13 mil portugueses. E primar pela auto sustentabilidade. A Sorefame fez o melhor do mundo em matéria de circulação ferroviária. Em 1994 a Sorefame produziu as locomotivas da série 5600 e 88 caixas para carruagens de dois pisos para o Departamento de Transportes da Califórnia. É um exemplo. O rol é vasto.

Mas agora, senhor ministro, vai ser melhor. Viajaremos em sucata recondicionada, Que grande negócio. Que grande futuro!

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