Covid-19: 62 mortes + 49 mil desempregados na hotelaria

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Nas últimas 24 horas morreram 62 pessoas com a doença provocada pelo novo coronavírus, segundo o boletim diário da Direção Geral de Saúde. Assim, o número de mortos relacionados com a covid-19 ultrapassou hoje a fasquia dos 3.000 óbitos que é, agora, de 3.021.

fonte DGS

O boletim indica também que se registaram nas últimas 24 horas mais 3.817 novas infeções de covid-19.

fonte DGS

Depois de um pico no dia 8 com 6.640 infetados, este índice tem vindo a diminuir acentuadamente. No entanto, ainda não se sabe se é apenas um acaso da contaminação ou fruto já de maiores cuidados por parte das pessoas. A boa notícia é que havendo menos doentes, menos pessoas irão necessitar de internamentos e menos pessoas irão morrer.

Preocupante é, ainda, o constante crescimento do número de pessoas internadas, fruto da subida do número de infetados das últimas semanas. Desde ontem foram internadas em enfermaria mais 91 pessoas, contando-se agora 2.742 internamentos, enquanto são menos nove os internados em unidades de cuidados intensivos, onde estão “apenas” 382 pessoas.

fonte DGS
fonte DGS

O problema da hotelaria

Enquanto uns contam mortos e feridos e lutam para salvar vidas, outros contam desempregados, gente viva com a vida em pantanas.

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) disse hoje que o setor perdeu 49 mil postos de trabalho no terceiro trimestre deste ano, de acordo com uma carta aberta enviada agora ao primeiro-ministro, António Costa.

“Na data presente já sabemos que a restauração, similares e alojamento perderam mais de 49.000 postos de trabalho no 3.º trimestre de 2020 (período normal de maior empregabilidade) e de acordo com o último inquérito da AHRESP, 41% das empresas de Restauração e Similares ponderam ir para insolvência e 19% do alojamento turístico vai no mesmo sentido”, adiantou a associação.

Os empresários do setor argumentam com o desemprego, mas o que eles querem mesmo é que o Estado os apoie enquanto a crise existir. No periodo que a carta refere, muitas empresas estariam ainda com os funcionários em lay-off e, no entanto, acabaram por despedir as pessoas.

“Sabemos do difícil e instável cenário que vivemos, sabemos que a atual situação pandémica nos dificulta a vida a todos, mas não é possível continuar neste rumo desastroso para as nossas atividades económicas”, lê-se na missiva.

Para a associação, as novas restrições, que impõem uma “proibição de circulação na via pública”, diariamente “no período compreendido entre as 23:00 horas e as 05:00 horas, com a medida agravada aos fins de semana, em que a circulação é proibida das 13:00 horas às 05:00 horas” são “um ataque sem precedentes”, tendo em conta que “muitos estabelecimentos de restauração e similares realizam grande parte da sua faturação, precisamente, ao fim de semana”.

Toda a gente percebe as dificuldades do setor, até porque são visíveis os restaurantes às moscas. Mas a terminologia utilizada pelas AHRESP quando fala em “ataque sem precedentes” é de quem não percebe quem, realmente, está sob ataque. A economia sofre, as empresas podem falir, mas quem morre são as pessoas que, ao contrário das empresas, não renascem nem são substituíveis.

Voltando à carta aberta, a associação recordou as medidas que já propôs “e que passam pelo financiamento a fundo perdido para micro, pequenas e médias empresas correspondendo a 50% da quebra de faturação registada, pela extensão do lay-off simplificado até 31 de dezembro de 2021 a inclusão dos sócios-gerentes e isenção da TSU e pela redução temporária da taxa do IVA nos serviços de alimentação e bebidas”.

A AHRESP apela ainda para a “isenção sobre as rendas de forma proporcional à quebra mensal de faturação” e a “medidas excecionais para a animação noturna, que se encontra sem qualquer atividade desde março de 2020, bem como a implementação de novas moratórias fiscais e contributivas, bem como de todos os impostos e tributações devidos até 30 de setembro de 2021”.

A associação recordou, por fim “que já este mês se inicia um período de grandes encargos para as empresas, com o pagamento de salários e subsídios de natal e o respetivo pagamento de impostos e de contribuições à segurança social”.

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