Beijocas em tempo de covid-19

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Eu conheço um cão chamado Óscar. Ou melhor, Senhor Óscar Deville Real. É pequeno, de pêlo aparado a rigor, gentil e muito beijocado. É um amigo recente.

Os cães e gatos têm conquistado os portugueses. Estamos em 12º lugar do ranking dos países com mais animais de estimação, embora nem sempre bem estimados. Dados estatísticos de há 4 anos. Será uma boa notícia, sobretudo para os miúdos. Mas pode ser um indicador da dificuldade dos portugueses em expressarem afectos. Nós somos bons a acolher turistas, mas avessos a manifestações de ternura.

É fácil encontrar cães e gatos com nomes de pessoas e passarmos por pessoas que nos ignoram, no dia-a-dia. Este bloqueio português é um mistério. Contrasta vivamente com os povos de Espanha. Não fosse a pandemia e olé! lá andavam eles a tagarelar nas ruas, dia e noite. Da maior cidade ao pueblo mais pequeno.

Em Portugal, não! Sempre se dormiu no horário das galinhas. Em regra. Festas são coisas da malta nova, enquanto é nova. Depois é um corrupio diário entre casa, trabalho, escola, porque está tudo disperso.

A consultora GFK estima que existam mais de 6,7 milhões de animais de estimação em Portugal. Incluindo peixes e aves. Os portugueses aparentam estar rendidos aos seus animais de companhia. É fácil ver alguém aos beijos a um cão ou a um gato. São tratados por senhores ou meninas. Por exemplo os Labradores têm quase sempre um papá. Esta manifestação de afectos raramente se vê entre casais, namorados ou amigos. O Covid-19 veio, aliás, agravar a tendência.

O futuro será “muito bom dia Senhor Óscar! Dê cá duas beijocas”. “Ão, ão!”. E ao dono? Nem um simples bom dia.

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