O segredo das grandes famílias portuguesas

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 A economia mundial está em queda, segundo Warrent Buffett, o investidor e multimilionário ‘guru’ das bolsas. Mas nós portugueses continuamos a achar que somos ricos.

Há dias uma amiga confidenciou-me, em tom de escárnio, ter descoberto o namorado a almoçar no Pingo Doce por 4 euros. Acabou-se o namoro. Jantávamos os dois. E o empregado sugeriu o vinho mais barato. A minha amiga ficou em estado de choque. Ficaria bastante pior, se soubesse que Warrent almoçou apenas uma sanduíche enquanto se desfazia das acções de bancos, para apostar na segunda maior empresa mundial de extracção de ouro.

Poderíamos pensar que a minha amiga é rica. Ou filha de uma família muito rica. Mas não. O nosso país tem apenas uma dúzia de famílias endinheiradas e são quase as mesmas do tempo do ditador Salazar: Mellos, Champallimaud, Pinto Basto, Ulrich, Queirós Pereira e poucas mais.

Os tiques da minha amiga, pessoa de recursos limitados, são suplantados pelas “postas de pescada” de um outro meu amigo: pratos de Vista Alegre, candelabros Baccarat, gira-discos retro de 3000 euros. E vinho de garrafa a 25 euros. Bom, ele vai a alugar a sua moradia no Parque das Nações e irá viver num um T1. No bairro da Lapa, evidentemente.

Todos nós somos filhos de “rapa-tachos Salazar”. Mas esquecemos. Tirámos um curso, arranjámos um emprego. Somos enfermeiros, médicos, professores, economistas, juristas, contabilistas, magistrados e por aí fora. Achamo-nos ricos e a viver num país rico. Um país quase sem agricultura, sem indústria, quase só pequeno comércio. Para ter maçadas?

Pior, ignoramos que 41,5 por cento dos 5.302.953 agregados declararam, no IRS de 2019, um rendimento anual bruto inferior a 10 mil euros.

E então? Então vai tudo correr mal quando estes 41,5 ficarem totalmente tesos. Não pagarão os serviços dos que se acham muito ricos.

E então? Então, teremos de vender por tuta-e-meia os anéis e os fios dos nossos avós aos “Warrent Buffett” portugueses. Este tem sido o segredo das grandes famílias portuguesas.

Não aguentamos mais? Ai aguentamos, aguentamos. Aguentamos mais 100 anos.

 

 

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