Liberdade, Liberdade

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1800

Até parece mentira, mas falar de liberdade a um português com menos de 60 anos, é como falar de marcianos. Já ninguém dá valor à liberdade. E por causa disso deitei para o lixo um texto inteirinho. Agora mesmo.

Era uma bela crónica sobre juízes e advogados, mas cala-te boca. O País tornou-se numa loja de porcelanas chinesas, no sentido figurado e verdadeiro.

Apaguei a crónica porque fui prestar declarações a uma Esquadra de Polícia que funciona no Forte do Alto do Duque, em Algés, de onde foi comandada a Revolução que nos trouxe a liberdade no 25 de Abril de 1974 e depois também o desvario de herói Otelo – que se meteu a fazer as FUP-terroristas. Foi dali que mandaram avançar o herói Salgueiro Maia para fazer peito à ordem do brigadeiro Junqueira dos Reis.

“Dispara, pá!” – ordenou ao cabo José Alves da Costa, que não disparou o tiro do blindado. E que teria acertado em cheio em Salgueiro Maia e em Jaime Neves que não arredavam pé.

Um tiro que teria feito um buracão no Terreiro do Paço e acabado com a Revolução e adeus Liberdade.

Depois disseram “ó pá! vai prender o Marcelo Caetano que está encurralado no Quartel do Carmo”. E ele foi e fez tudo! A este herói-maior, o Salgueiro Maia, desterraram-no para os Açores. E já doente, Cavaco Silva recusou-lhe uma pensão em 1989, preferindo condecorar  em 1992 dois elementos da Polícia Política da ditadura derrubada. 

Apaguei a crónica, sim, mas continuarei a cantar “não há machado que corte a raiz ao pensamento, não há morte para o vento, não há morte”.

Um insuportável pivete a mofo.

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