A felicidade não vive nos subúrbios

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A pandemia está a afectar o sono dos portugueses. Mais de 22 por cento dos portugueses dormem menos de 5 horas por noite. À semelhança do nosso Presidente da República que acha isso uma enorme façanha.

Uma grande maioria pode apoiá-lo, mas não no sono. Dormir pouco potencia doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e sobretudo a infelicidade. É perigoso. A infelicidade e sono são uma pescadinha de rabo-na-boca. Dormimos pouco porque somos infelizes, somos mais infelizes porque dormimos pouco.

Em bom rigor é difícil ser feliz quando nos levantamos às 6 da manhã para preparar as coisas. Arranjar e levar os miúdos à escola. E apanhar o comboio das duas linhas, de Sintra e Cascais. Depois é o Metropolitano e autocarro. E pelas 5 da tarde voltamos a fazer o inverso. A opção pelo percurso em camioneta ou em automóvel, não é melhor e sai mais caro. Lisboa nunca teve um plano de construção discutido e implementado, ao contrário, por exemplo de Barcelona ou Madrid, onde o ditador Franco entrou a tiro de canhão. O mal é especulação com os solos de Lisboa. E também a ditadura de 48 anos que dispersou o povo, não por causa do covid-19, mas do vírus da cidadania.

A médica Teresa Paiva é autora de um interessante estudo, onde se revelam dez regras fundamentais para o bem dormir. A 5ª regra diz ”apreciar a vida, utilizar palavras positivas e pensarmos que somos privilegiados”. Muito giro. Mas venha Teresa Paiva experimentar a rotina dos lisboetas da Grande Lisboa e arriscará a ser diabética e obesa. Como alerta no seu estudo. E será sobretudo profundamente infeliz.

Os portugueses são escravos das horas e das distâncias. Vivem apenas para criar os filhos, pagar a casa e o pópó, que lhe dá a falsa ideia de felicidade.

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