O Presidente, o ministro e a professora no início do ano letivo

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Enquanto o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, dizia que que as escolas do país terão “necessariamente” de ser “sítios seguros” face à pandemia da covid-19, porque é  “absolutamente fundamental” a retoma das atividades letivas presenciais, fui à escola para a reunião de encarregados de educação com a diretora de turma do meu filho mais novo.

Enquanto o ministro se mostrava ufano pelo início do ano letivo com atividades letivas presenciais, a professora confessava aos pais e encarregados de educação que as salas de aula não tinham aumentado nem em tamanho nem em número e que as crianças da turma eram as mesmas 28 do ano passado. Isto é, as crianças continuarão sentadas em carteiras duplas.

O ministro garante que as escolas são o sítio mais seguro onde o meu filho pode estar, mas a professora diz ser impossível cumprir com o distanciamento mínimo exigido pela Direção Geral de Saúde, dentro da sala de aula. E é na sala de aula que as crianças vão passar os dias, com aulas mais longas e intervalos reduzidos a 5 minutos onde nem à casa de banho poderão ir para evitar ajuntamentos.

Ao lado do ministro voluntarioso, o Presidente da República sentiu-se na obrigação de nos enviar uma mensagem de fé:  “todos estamos interessados em que o ano letivo corra bem, é uma missão nacional, não é a missão de um governo, de um partido, de um sindicato, de um patronato, de responsáveis de escolas, de pais, de alunos ou de autoridades sanitárias, é uma missão de todos”. À minha frente, a professora explicava que a turma vai funcionar como uma “bolha”, é suposto que as crianças não brinquem com elementos de outras turmas a não ser aquela a que pertencem e não foi capaz de explicar como vão ser servidas refeições a mil e tal alunos num refeitório com 1/3 da capacidade normal. Se antes já era um pandemónio, como querem que seja este ano?

Sobre o ano letivo que “vai ser difícil”, o Chefe de Estado teimou que, dentro das suas dificuldades, vai ter de correr “o melhor possível” porque, se assim não for, é o país, as crianças e jovens, os pais, os professores, os auxiliares e os autarcas que perdem o ano. “E isso não é possível, não é concebível e não vai acontecer”, falou Marcelo. No final da reunião, a professora do meu filho encolheu os ombros e disse: “nas primeiras semanas não vai haver aulas de ginástica, o professor faz parte de um grupo de risco e vai meter baixa”.

Nesta EB2, as aulas começam quinta-feira, 17.

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