O pior vírus é o do fascismo

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Os manipuladores da opinião pública da nossa praça, pagos a peso de ouro pelos grandes interesses económicos, querem a todo o custo, com as suas mistificadas explicações, esconder que uma das principais causas das constantes crises com que se debate o actual sistema político e económico, está na crescente desregulamentação da economia mundial, nas políticas que promoveram as privatizações, a livre circulação de capitais e a economia de casino, em detrimento da produção real e das condições de vida dos povos.

Em tempos de pandemia, todos temos bem presente, as teorias recentes dos neoliberais de direita e das suas caixas de ressonância a que chamam comunicação social,  em que defendiam acerrimamente um “estado mínimo” em detrimento de um Estado regulador e operante, onde prevalecessem de forma determinante as “leis do mercado”, fazendo crer que só assim poderia haver desenvolvimento e produção de riqueza …Com a crise financeira, provocada pelos criminosos banqueiros do sistema  e com a falta de carácter e de vergonha que os caracteriza, vieram exigir de imediato em forma de chantagem o apoio desse mesmo Estado, que queriam e de tudo fizeram para que fosse “Mínimo” , inclusive predispuseram-se a serem nacionalizados… imagine-se, o capitalismo a auto-nacionalizar-se, 45 anos pós o 25 de Abril, onde nessa altura sim,  a Banca foi nacionalizada para apoiar o desenvolvimento económico nacional e para estar ao serviço das empresas e do povo e assim contribuir para sedimentação do processo democrático.
Durante o período da crise financeira, a nacionalização que os defensores do capital professaram, nada tinha a ver com as nacionalizações de Abril, era uma outra, bem diferente… o que fizeram por exemplo, com o BPN ou com o BES, foi com que o Estado nacionalizasse apenas os passivos desses bancos, até tiveram a hombridade de num dos casos, para ludibriarem a situação,  criar um banco bom e o banco mau, mas no final, viemos a saber que ambos eram mesmo muito maus para os contribuintes e para o País.

E nós, neste país do faz-de-conta, onde quase dois milhões de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza, perguntamos, por onde foram tantos milhares de milhões ? Porque tem o Estado de apoiar a banca privada criminosa, em substituição dos seus accionistas a quem foram durante as ultimas décadas entregues milhões e milhões em dividendos, muitos deles provenientes das especulações bolsitas e das economias de casino?
Neste país, sem cultura democrática e de profunda  pobreza a todos os níveis, poucos sabem que a grande fatia da crise financeira, provocada pelo próprio sistema capitalista, foi paga pelo “factor trabalho” em mais de 35% e que as grandes riquezas  existentes em Portugal, viram as suas fortunas aumentadas em  mais de14% … quando poucos se perguntam porque raio terá de ser assim e  quando muitos,  pouco se importam que assim seja…está tudo ou quase tudo dito, é o cocktail perfeito para o surgimento dos populismos.

O surgimento da pandemia covid-19, entre muitas outras coisas veio pôr a nu o quão frágil é este sistema de organização política e económica, apesar do Estado já ter enterrado no sistema financeiro mais de 25 mil milhões de euros, o mesmo encontra-se em processo de decadência vertiginosa. Contudo, os efeitos da crise provocada por esta pandemia ainda não se estão a fazer sentir na sua totalidade e já há dezenas de milhares de trabalhadores no desemprego, há dezenas de milhares de famílias a passar por necessidades básicas, há já limitações aos nossos direitos e liberdades e há já, em outras paragens, quem se proponha deixar morrer os idosos em nome da salvaguarda do regime capitalista, acolhendo essa ideia tenebrosa alguns apoios em terras lusas…lembram-se da expressão “peste grisalha”

Perante todo o contexto que se avizinha , temos de ser cépticos, contudo, vigilantes e determinados, para que aquilo que a história da humanidade teve de pior, não se volte a repetir. Nunca será por demais relembrar que após a “peste espanhola” surgirem guerras civis regimes ditatoriais como os de Salazar, Francisco Franco, Benito Mussolini ou Adolf Hitler.

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