De volta à carteira da escola

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Esta semana deu-se o regresso dos alunos às escolas públicas. Como professora, senti uma alegria enorme em revê-los e, curiosamente, foi provavelmente o ano em que não senti nenhuma espécie de ansiedade. Foram dois dias muito bons, apesar das circunstâncias e das restrições por elas ditadas. A emoção do reencontro com os miúdos mais pequenos foi particularmente forte, embora sem nenhum abraço. De parte a parte. Muita vontade em poder faze-lo.

As indicações da DGS e da DGEST chegaram em pleno verão. Muitas direções não tiveram férias e o esforço para assegurarem um regresso em segurança da comunidade escolar foi notório- Essas indicações foram de caráter geral, embora claras, ou seja, cabia às escolas zelarem especificamente pela observação das mesmas tendo em conta o contexto escolar e os espaços de cada uma.

Nestes dois dias, apercebemo-nos de que não trabalharam todos da mesma forma, isto é, as medidas de contingência aplicadas variaram muito de agrupamento para agrupamento. Como habitualmente, quando as leis ou as recomendações são vagas, prestam-se a diferentes interpretações. E também sabemos que as chefias diferem na visão, estratégia e eficácia.

Muitos pais, desta forma, não estão contentes. Compreende-se que, até por comparação, desejem as condições ideais para a frequência das aulas com segurança e saúde. Compreende-se a sua preocupação, até angústia. No entanto, pessoalmente considero que se deve dar reforços de confiança, serenidade e positivismo a filhos e miúdos em geral, alunos, na perspetiva combinada de mãe e professora.

Os mais novos reagem bem às conversas francas, de esclarecimento no que nos é possível esclarecer, de informação e de tranquilização. Se pudermos acrescentar doses de humor, melhor. Brincar com a máscara, com o filme de ficção científica que estamos a viver, com a situação imprevisível, descontraindo a miudagem e nunca o contrário. Da mesma forma, não podemos desvalorizar o problema, considerar as medidas um exagero, e, pior, comparar as mesmas a viver numa prisão, como me apercebi que tem acontecido também.

Os miúdos estavam presos em casa, durante o confinamento. Se no início até soube bem a todos, fazendo-nos valorizar o nosso ambiente doméstico e estar mais atentos a coisas mais simples que também nos fazem em, a longo prazo o isolamento social que o lockdown comporta é, ele sim, altamente pernicioso. Os miúdos precisam da escola. Do convívio, do recreio, do ar livre, do desporto na escola, até das aulas chatas.

Interagir com o outro para além das máquinas é viver com mais intensidade. Traz riscos, porque lá fora há sempre risco, mas faz crescer, evoluir, ganhar defesas, seguir em frente. O real é sempre preferível ao virtual, a vida na diversidade é sempre preferível à bolha de sempre, a escola é sempre melhor do que qualquer telescola ou ensino totalmente à distância (misto, por exemplo, já é uma abordagem deveras interessante, e tal vai acontecer com as aulas de apoio, pelo menos na minha escola).

Posto isto, welcome back, c’est la rentrée, um bom ano letivo para todos, com responsabilidade, prevenção e esperança.

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