Covid-19: dez mortes e ainda estamos no verão

0
561

Nas últimas 24 horas, os números da pandemia covid-19 deram um salto que nos deve deixar a todos em sobressalto. Há registo de  10 mortes e 770 novos casos de infeção por covid-19.

A região Norte foi a que registou a mais vítimas mortais, cinco. Lisboa e Vale do Tejo tem registo de duas mortes.

Quando ontem escrevemos que “com o aumento de casos de pessoas infetadas é provável que dentro de dias ou semanas comecem a aumentar também o número de óbitos, uma vez que há sempre um tempo que decorre entre a infeção e uma eventual morte provocada pela doença”, não estavamos a pensar que hoje o país estaria de novo com números de dois digitos nas mortes por covid-19.

Câmara de Lisboa quer rastrear toda a gente nas escolas

Com os números da pandemia a subir e com a região de Lisboa a manter-se como o principal ponto de contágio do covid-19, a autarquia aprovou hoje uma moção onde se insta o governo a “organizar os meios e os recursos para a realização de testes gratuitos a todos os professores/as, alunos/as e assistentes operacionais das escolas públicas, no âmbito do início do ano letivo”. Votaram a favor da moção (apresentada pelo vereador do Bloco de esquerda), o PSD, CDS-PP, PCP e Bloco. Votou contra o PS.

“Apesar de alguns estudos científicos indicarem que existe menor probabilidade de contágio entre crianças e jovens do que entre adultos, há que ter em conta que uma boa parte dos docentes em exercício de funções nas escolas da cidade de Lisboa pertence a grupos de risco, principalmente devido à faixa etária média da classe docente”´, argumenta manuel Grilo na sua moção.

Além disso, é acrescentado, a ausência de sintomas em grande parte da população jovem faz com que as potenciais infeções por covid-19 passem despercebidas e se tornem potenciais fatores de contágio.

Com  a abertura do novo ano letivo, os transportes públicos voltam a registar aumento do número de passageiros e as horas de ponta tendem a tornar-se críticas, em termos de distanciamento físico que evite o contágio com covid-19.

Voltou a haver “hora de ponta”

Entre as 7 e as 9 da manhã, metropolitano, autocarros da Carris, comboios e autocarros interurbanos estão de novo cheios e nos interfaces já se aglomeram multidões que procuram chegar a horas ao emprego ou à escola.

A generalidade dos utentes reconhece que as condições de segurança sanitária são precárias, mas sem alternativa não há como evitar correr o risco.

Governo decreta desfasamento de horários

Para tentar evitar este tipo de problemas, o governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o diploma que cria um regime excecional e transitório do desfasamento dos horários de trabalho, com vista à minimização de riscos de transmissão da covid-19.

A resolução do Conselho de Ministros que declarou a situação de contingência no âmbito da pandemia de covid-19 incluiu, entre as medidas, a criação de horários diferenciados de entrada e saída ou de pausas e de refeições por parte das empresas (em que haja prestação de trabalho em simultâneo de 50 ou mais trabalhadores) das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

O objetivo é evitar aglomerações nos locais de trabalho e haver menor concentração de pessoas que utilizam os transportes públicos durante as horas de ponta.

Na passada segunda-feira, o Governo enviou aos parceiros sociais (confederações patronais e centrais sindicais) a proposta do projeto-lei que operacionaliza a medida. O diploma foi mal recebido pelos sindicatos, mas também por confederações patronais, o que significa que vai haver muita resistência para implementar esta lei.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here