Lisboa privatiza jardim público

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Começou por ser uma revista que divulgava marcas e promovia negócios para, depois, serem eles mesmo uma marca no mundo dos negócios. Foi assim que ficaram com a concessão do antigo Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, em Lisboa, onde subalugam espaços para coworking, hotelaria e comércio, organizam a animação do espaço com concertos e continuam a fazer a revista.

É uma organização muito ativa e, aparentemente, com métodos expeditos e bem sucedidos. Os problemas parecem não ser entraves de monta. Com as novas regras de distanciamento social e limitação do número de pessoas em espaços confinados, a Time Out deu mais um passo expancionista e instalou-se no jardim público na Praça Dom Luís I, mesmo ao lado do Mercado da Ribeira.

Nada disto seria controverso se o espaço público não tivesse ficado barrado ao público. Passa a ser apenas para clientes da Time Out. Se alguém quiser descansar as pernas num dos bancos do jardim público, à sombra de uma das árvores regadas pela água que todos pagamos, não pode. Os avisos espetados no solo são claros e não deixam dúvidas. O jardim público passou a espaço exclusivo de clientes de uma entidade privada.

Não há notícia de que esta apropriação do espaço público abra excepções a residentes locais, às pessoas que sempre usaram o jardim muito antes da Time Out existir. Não há notícia de que existam excepções para idosos ou grávidas ou crianças. Ninguém pode gozar da frescura daquelas sombras, a não ser que queira um hamburguer gourmet.

Procuramos justificações para isto no site da Câmara Municipal de Lisboa e não encontramos. Assim como não encontrámos nada no site da própria Time Out. Mas que o jardim está vedado, lá isso está.

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