As lavandarias da Justiça e da alma

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Na doutrina católica, temos a Indulgência que é a remissão do pecado através do pagamento de uma determinada quantia em dinheiro à Igreja.

Se o pecado for grande, a indulgência será mais pesada, se o pecado for uma coisa de nada será mais leve, digo eu que nunca paguei nenhuma… mas imagino que seja assim. Até admito que o padre tenha uma tabela para indulgências, não sei.

Portanto, desde que o pecador possa pagar, já não vai parar ao inferno, nem ao purgatório… vai pecando e vai pagando pelo perdão… é uma espécie de lavandaria da alma.

Na Justiça há uma cena semelhante… não se chama indulgência, mas sim injunção… confesso que não sabia deste mecanismo da Justiça e que foi agora, há uns dias, ao ler uma notícia sobre o pagamento de injunções para evitar o julgamento… que tomei conhecimento da coisa. Fiquei pasmado…

Lembram-se do caso dos membros do governo, deputados e autarcas que foram ver jogos do Europeu 2016 à borla, a convite de várias empresas… não vou aqui dizer os nomes nem por as fotografias deles, porque não se trata disso, não há aqui nenhuma perseguição pessoal mas, apenas, uma palavra de indignação!

O caso ficou conhecido por Galpgate… a acusação era de recebimento indevido de vantagem… uma espécie de pequena corrupção, se é que a corrupção se pode medir em termos de grandeza… cada qual deixa-se corromper mediante a circunstância e a culpa não se devia medir pelo montante envolvido mas pela ação em si… quem aceita pagamentos para ir à bola, aceitará outros pagamentos por outra coisa qualquer, acho que deviamos partir desse princípio.

Bom, para resumir a história, o caso Galpgate já não vai a julgamento, os acusados aceitaram pagar injunções… pagando, o processo fica suspenso durante seis meses e se, durante esse tempo, os acusados não voltarem a pecar, o caso fica encerrado.

A injunção é feita a pedido do acusado… se o tribunal aceitar esse método de lavar o crime, define-se o montante a pagar e pronto. O cadastro continua limpinho, porque o pagamento da injunção nem sequer pressupõe que o acusado aceite reconhecer alguma culpa naquilo de que o acusam… paga para evitar chatices e exposição pública, paga porque pode.

Eu acho isto lindo. Vocês não?

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