Mexia, a luz que se apaga

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Quando aqui há dias escrevíamos aqui no Duas Linhas que a luz tremelicava para António Mexia e outros administradores do grupo EDP, já pressentíamos que o juíz Carlos Alexandre iria decretar medidas muito gravosas para os arguidos, enquanto esperam que o processo chegue a julgamento.

Não me vou por a discutir questões técnicas do direito, não tenho competência para tal, mas acredito que este juíz do tribuinal de instrução criminal seja muito sensível ao peso da opinião pública, e todos sabemos que Mexia e compagnons de route são dos mais detestados pela generalidade dos portugueses.

Não é só pela imoralidade dos salários que auferem, mas pelos indícios de corrupção que existem na EDP, não só durante a fase de privatização, como depois na política de contratação de gestores, muitos deles lobistas assumidos, comissionistas assumidos, praticantes do mais descarado lambeculismo que existe à face da terra.

Quem não se lembra da triste cena de Eduardo Catroga a assediar o primeiro-ministro, mesmo sabendo que havia por ali câmaras de televisão que além de objetivas ópticas têm microfones… enfim, a urgência da coisa perturbou o raciocinio do lambeculista e deu nisto… Uma vergonha.

E sempre que se falou em acabar com as garantias do Estado para que o negócio da EDP não corra riscos, os lobistas e comissionistas, lambeculistas e outros que tais, apareceram por todo o lado a defender as rendas excessivas que o Estado se comprometeu a pagar por um negócio que é um quase-monopólio…

E é por cenas destas que se têm multiplicado ao longo dos anos que a EDP e o Mexia não têm a simpatia da opinião pública, embora sempre tenham tido boa imprensa e bons apoios na opinião publicada… mas os lobistas servem para isso mesmo, para exercer pressão sobre os políticos que continuam a ter medo do que surge publicado nos jornais ou nas televisões, mesmo se já não é ali que está a maioria do povo que vota.

Dito isto, repito que não sei discutir as questões do direito que levaram a esta decisão do juíz de instrução criminal – impedir que Mexia e outros continuem a gerir a EDP, impedir que Mexia e outros continuem a ter acesso às instalações da EDP, impor cauções de 1 milhão de euros aos arguidos – enfim, uma violência nunca vista por parte da justiça sobre cidadãos suspeitos de corrupção… normalmente ninguém se mete com eles, a sério… mas o juíz Carlos Alexandre não é igual a outros, ou não fosse ele quem enviou preventivamente para a cadeia um primeiro-ministro…

A luz tremelica, dizia o título da prosa que publicamos neste site há um mês… eu agora digo que a luz se apagou, duvido que Mexia e os outros tenham futuro como gestores…

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