Mandriice

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Enquanto a vejo afastar-se engulo o resto do chá de menta, trago para dentro de casa a sala montada no largo. Como sempre, foi um belo serão. Já é tarde, a noite continua fresca.

Experimento de novo o Pop Corn, um copycat da Netflix mas free. Há dias que anda empenado,  os filmes demoram tanto tempo a carregar que se acaba a paciência. Tento de novo ver uma das minhas séries preferidas e… abre de imediato! Tenho quatro episódios para pôr em dia. Que bom!

Sei que a gula vai aparecer por aí mais tarde ou mais cedo, vou ao frigorífico ver o que resta. Resta pouco mas o suficiente para fazer uma miniatura do eu bolo de bolacha, sem manteiga, com natas e chocolate, fruta se houver. Uma delicia. Ponho-o no frio, preparo tudo para ver cinema na cama, no escuro, está tudo perfeito. No segundo episódio aparece a sacana da gula, sem medos sento-me a comer uma tigela, repito sem culpa.

Barriga cheia de emoções, decido fazer um domingo de mandrice, na cama, enfiada em séries e filmes. Sei que vou ter fome mais tarde. O frigorífico está cheio de espaço, são nove da manhã.

Faço um esforço herculano e vou ao supermercado. O orçamento é curto, apetece-me junk food mas tenho de precaver o resto do dia e o início da semana. Não abdico das batatas fritas. Pipocas no cinema ou na cama são um sacrilégio, batatas fritas são um deleite.

Dou voltas e voltas, pago, saio para o calor e retiro a máscara que me deixa pingos de suor na testa. Detesto usar máscara mas tem de ser. Chego a casa, é suposto pegar nas batatas e na maionese e voltar à sala de cinema. Mas coitadinha, a cozinha está tão desarrumada… Decido fazer um creme de cenoura, trouxe uma série delas para o efeito. Entretanto faço um café instantâneo que sabe mal sem um pouco de açúcar, ao contrário da bica onde este é estritamente proibido.

Acendo o primeiro cigarro do dia e resolvo fazer uma salada. Coloco ao lume um pouco de massas em forma de lacinhos e um ovo. Enquanto espero decido pôr a cozinha em ordem, não  consigo cozinhar no meio do caos. Deito os lacinhos num pirex, depois alface iceberg, sementes de sésamo ao calhas, pepino e cebola aos cubinhos, ovo às rodelas, o vermelho do tomate a rematar. Sal e frigorífico. A cenoura ainda não cozeu, faço um sumo de melancia com gelo picado. Está estupidamente bom, é estupidamente fresco. Desligo a sopa, agora tenho de esperar um pouco para enfiar a varinha mágica, de outra maneira derrete. Bela compra…

Estou cansada, está um calor denso lá fora. Faço ainda um chá gelado e encontro paciência para a gelatina, afinal é tão fácil de fazer.

Penso em dormir mas as batatas fritas e a maionese gritam por mim. Ok, abraço este domingo cinéfilo, no fresco do quarto onde a cama se torna numa divisão. Escolho os Parasitas, ando há que tempos para o ver mas, embora o Pop Corn tenha voltado, as legendas ficaram pelo caminho e não sei sul coreano.

Vou ao menu, escolho um filme que não me obrigue a pensar, trinco uma batata frita, sinto o crocante na boca. Sim, é dia de mandriice.

De repente lembro-me da sopa, ainda não a passei. Logo de seguida aproveito para varrer e lavar o chão da cozinha primeiro, o da casa toda de seguida. Está feito!

Encontro o Fitght Club, cheio de acção, inteligente, ideal para ficar acordada. Acabo as batatas fritas. Pouco depois viro costas ao computador e sigo os diálogos. Imagino-me dentro do filme, sou a namorada do Edward Norton mas… adormeço antes de começar a violência.

Pois é, passar um domingo sem fazer nada é uma trabalheira.

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