Lisboa, a cidade dos brinquedos

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Súbitamente neste verão, quando a pandemia fez de Lisboa um cenário fantasma onde almas penadas, comerciantes falidos, hotéis às moscas, transportes parados, enfim, enquanto Lisboa fazia adivinhar uma crise total, o autarca, que tem maioria aguentada por um desconhecido do Bloco de Esquerda, decidiu pintar o pavimento de certas ruas em cores berrantes, de tinta contaminada, não se percebe com que objetivo urbano, a não ser uma parolada para encher olho a fofinhos verdes, que acreditam que é possível transformar a vocação de uma cidade,  num conto infantil do Noddy na Cidade dos Brinquedos.

Não é preciso ter-se estudado a história das cidades para se perceber que elas nasceram para ser centros do Poder, do comércio, do negócio, da cultura, enfim, do cosmopolitismo com tudo o que isso implica de dinâmica social e política.

As grandes cidades têm néons, movimento, cheiros e sons diversos, meios de transporte diversos, e gente que ocupa o tecido urbano consoante a sua condição social.

Lisboa sempre foi isso. O Terreiro do Paço era uma grande feira e o centro do Poder Político. Não era por acaso que a Justiça, as artes e a sua escola, os jornais, os melhores restaurantes, o circuito do comércio de luxo, se situava na Baixa. O coração palpitante da capital.

Claro que a sociedade evolui mas no essencial continua a ser essa a ideia de cidade.

Este diletantismo de querer fazer de Lisboa um museu ou um circuito de Disneylândia para turistas parvos, tem sido um erro político fatal para Lisboa, sobretudo para os lisboetas e para quem lá trabalha.

A tentação do politicamente correto começou com Abecassis ao ter encerrado a Rua do Carmo aos carros e de ter instalado umas esplanadas patéticas, fatais no ataque ao incêndio do Chiado.

Entregue a demagogos que desprezam o investimento privado e insistem numa cidade dos brinquedos, o terramoto está à vista.

E o povo acha que uma cidade é um grande bairro de imigrantes que só querem mostrar a fachada da maison, mesmo que a banheira esteja pintada e cheia de flores.

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