Covid-19: alarme em Cascais

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Nas últimas 24 horas, morreram oito pessoas infetadas pela covid-19 e foram detetados mais 328 casos de infetados, cerca de 83% dos quais na Região de Lisboa e Vale do Tejo.

Só em Alcabideche, no lar de São Vicente, do Centro Social e Paroquial, há quarenta e cinco utentes infetados. Segundo a autarquia de Cascais, estão agora a ser feitos testes aos colaboradores. O lar em questão alberga 71 pessoas.

Este é o segundo caso em poucos dias de doentes covid-19 em lares do concelho de Cascais, depois de, na segunda-feira, a Direção-Geral da Saúde ter dado conta de um surto num lar em São Domingos de Rana.

Neste lar, 41 dos 46 utentes estão infetados com o novo coronavírus, assim como seis profissionais daquela estrutura residencial, tendo-se registado um óbito.

Cascais torna-se, assim, repentinamente, alvo das atenções das autoridades sanitárias, um município onde, até agora, não havia grande alarme social por causa da pandemia.

Ontem, o presidente da Câmara Municipal deu o primeiro sinal de que alguma coisa não estava bem, quando veio a público afirmar que iria fechar as fronteiras do concelho aos transportes públicos intermunicipais.

No mapa dos municípios com maior incidência da doença covid-19, Cascais está em 11º lugar com 997 casos acumulados.

O top-5 está assim definido:

1- Lisboa com 3573 (+29)

2- Sintra 2753  (+49)

3- Loures 1872 (+16)

4- Amadora 1739 (+21)

5- V. N. De Gaia 1668 (+7)

Uma nota algo insólita é o facto do concelho do Porto não ter uma única nova infeção há quase um mês. Parece estranho que, havendo casos reportados em Gaia, por exemplo, assim como noutros concelhos limítrofes, o Porto se tenha tornado imune ao covid-19. Ou há alguma coisa que está a falhar na recolha de dados ou o caso do Porto merece ser estudado pelos investigadores que tratam destas matérias epidemiológicas.

A mobilidade da população no concelho do Porto não é muito diferente de outros centros urbanos, onde as pessoas se deslocam, igualmente, de transportes públicos de casa para o trabalho, frequentam centros comerciais, vão a restaurantes e deslocam-se com facilidade entre municipios.

As explicações genéricas da Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, não respondem a este mistério. A responsável pela DGS diz que a maioria dos novos contágios da COVID-19 ocorrem em contexto habitacional, laboral e, em terceiro lugar, em contexto social.

Adicionalmente, as pessoas podem infetar-se em ambiente social e depois transportam o vírus para casa. “Já pedimos várias vezes às pessoas que, se houver um doente dentro de casa, os elementos da família ou coabitantes se tentem isolar” diz Graça Freitas, não desconhecendo que muitas pessoas vivem em condições habitacionais que não permitem esse distanciamento dentro de casa, tal como acontece em muitos bairros das cidades portuguesas.

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