Animais são vítimas de crueldade

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Depois da morte de dezenas de cães e gatos em canis de Santo Tirso, devido a um incêndio florestal e devido a não se ter prestado socorro a esses animais atempadamente – bastaria terem aberto as jaulas dos canis para os animais fugirem – vieram agora veterinários dizer que o país devia regredir na Lei e voltar a praticar a eutanásia como método de controlo das populações.

Sinceramente, acho que um veterinário dizer uma coisa destas é o mesmo que um médico dizer que os doentes devem ser mortos à porta do hospital, antes de começarem a dar trabalho…

O argumento de que a proibição da eutanásia como método de controlo populacional é o que está a esgotar a capacidade dos canis municipais, é apenas mentira.

O que esgota a capacidade dos centros de recolha de animais errantes é o continuo abandono dos animais… há quem continue a achar que um cão ou um gato são bonecos que se deitam fora quando nos cansamos deles… e é o incumprimento da obrigação de esterilizar os animais errantes. Alguns municípios perceberam que precisam de investir nas colónias de cães e gatos de rua, esterilizá-los para que essas colónias não aumentem e é evidente que com o tempo esse problema teria solução.

Mas a maioria dos municípios não faz isso. Os autarcas dizem que não têm meios, encolhem os ombros e esperam por milagres que não existem.

A percepção que se tem é que essas autarquias apostam no boicote às esterilizações para forçar o parlamento ou o governo a voltar atrás e a recuperar as leis antigas da eutanásia como meio de controlo das populações de animais abandonados…

Eu também acho que viver toda a vida fechado numa jaula num canil municipal não é o sonho de nenhum animal, mas a solução não é matá-los…

A solução é adoptar comportamentos que criem uma nova realidade.

Quer mesmo um cão ou um gato para levar para casa? Não compre. Adopte um, vá aos canis e às associações de ajuda animal e escolha um animal de que goste. Em princípio, esse animal será entregue depois de esterilizado.

Se alguma vez deixar de ter condições para ter o seu animal em casa, não o abandone na rua ou no mato. Leve-o a uma associação, entregue-o para que possa ser esterilizado e posteriormente adoptado.

Se todas as  câmaras municipais fizerem um esforço para reforçar as políticas de combate ao abandono de animais e à proliferação de animais errantes, se as pessoas esterilizarem os seus animais e não os abandonarem, o problema tem solução e nem parece que seja assim tão difícil. São medidas simples, o complicado é mudar as mentalidades de quem trata mal os animais, os abandona e os quer matar por pragmatismo cruel.

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