Sensaboria

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O prometido é devido. Cá estamos, portanto, para dar conta de mais uma análise comparativa dos noticiários televisivos da noite do passado dia 30 de maio, um sábado. É um dia em que as agendas estão mais fracas e as redacções mais desfalcadas. Os noticiários de fim-de-semana deviam, portanto, exigir criatividade e algum trabalho durante a semana.

Criatividade, nem vê-la. Quanto a peças produzidas anteriormente, tivemos “Os Dias que Contam”, de Sandra Sá Couto (“Telejornal” – RTP) e “Isto Anda Tudo Ligado”, de Vítor Bandarra (“Jornal das 8” – TVI), ambas demasiado longas, mas, como sabemos, o “chouriço” é grande e há que o encher. A qualidade está fora de questão, são excelentes repórteres.

Quanto ao resto, é uma pobreza franciscana. Abrem todos da mesma forma, com a operação sanitária no bairro Jamaica. Meteu polícia, pelo que a operação deixou de ser sanitária, para passar a ser policial. A TVI, neste aspeto, está mais contida, eventualmente devido à desistência da Cofina relativamente à compra do canal. Mesmo assim, é quem continua a dedicar mais espaço ao crime, acrescentando duas peças, uma sobre o duplo homicídio em Valpaços e outra relativa à estudante presumivelmente morta por colega. RTP e SIC apresentam peças sobre Valpaços.

Quanto ao ritmo, no início estão praticamente ao mesmo nível. Ao 5º tema, o “Jornal das 8” vai com 10′ de noticiário, o “Jornal da Noite” com 11′ e o “Telejornal” com 9′. Mas ao 20º tema a SIC apresenta um passo mais estugado, com 53′ de noticiário, enquanto o “Telejornal” já vai com 1h 06′ e a TVI com 1h 07´.

Uma surpresa ao 15º tema do Jornal da Noite. O pivô (Rodrigo Carvalho), apresenta uma peça cujo conteúdo nada tem a ver com a frase de lançamento – “Por outro lado, nos Estados Unidos, os números da covid ainda continuam a subir”. Ora, tratava-se de uma peça dedicada exclusivamente às relações EUA/OMS. Números, zero. O mesmo para a situação sanitária naquele País. É o que acontece quando se lançam peças com frases demasiado curtas, de uma ou mesmo de meia linha. Deve por lá haver quem pense que aquilo é forma de dar ritmo ao noticiário. Não, não dá. A única coisa que dá é a sensação de que há por ali muita preguiça. Trata-se de uma falha absolutamente incompreensível, uma vez que os pivôs têm acesso aos textos das peças que apresentam.

São 3 noticiários muito semelhantes. Semelhantes e sensaborões.

Não se retiram grandes conclusões da análise de noticiários em apenas dois dias. Os alinhamentos da TVI são os mais consistentes. Ou seja, pensa-se melhor para os lados de Queluz de Baixo. A SIC tem melhores repórteres, mas esses, os melhores, aparecem pouco na antena. E a RTP possui uma rede de correspondentes que pode fazer a diferença, se bem aproveitada. E fico com a ideia de que o departamento gráfico da televisão estatal está com mais qualidade do que o da SIC.

(O autor vai uns dias de férias. Retoma o contacto com os leitores do Jornal de Barcelos e do Duas Linhas no próximo dia 1 de Julho.)

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