“Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara”

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No livro Ensaio sobre a Cegueira, um tipo que conduzia um carro e estava parado no semáforo fica cego repentinamente. É o primeiro caso de uma “treva branca” que depressa se espalhou incontrolavelmente. Uma espécie de pandemia.

Isolados em quarentena, os que vão ficando cegos tornam-se páreas sociais, prisioneiros que tateiam um caminho sem fim e sem futuro. O autor desenhou, palavra a palavra, a sua visão aterradora e comovente de tempos sombrios que se avizinhavam.

“Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara”, é a primeira frase escrita por ele nesse livro, uma espécie de aviso aos que têm “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”.

Mais que olhar, importa reparar no outro. Amor puro. Só assim o homem se humaniza novamente.

Quem escreveu isto, morreu há 10 anos, a 18 de junho de 2010. Mas são palavras assim escritas que fizeram de José Saramago imortal.

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