Rua das Pretas

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Sem querer alongar-me acerca da legitimidade na contestação aos símbolos do colonialismo, esta dicotomia pretos/brancos está a atingir proporções verdadeiramente delirantes.

Se calhar não tenho a clarividência suficiente para me colocar na pele do outro, porque nasci e cresci nesta realidade, ao ponto de achar normais todas essas referências, apesar de me terem sido transmitidos desde cedo os valores do humanismo, que colidem flagrantemente com a materialização dessas memórias.

Todavia, casos há, como o da l’Oréal que, ao que parece, vai retirar do catálogo todos os produtos com a designação “Branqueador”, uma atitude politicamente correcta na forma, mas nitidamente destituída de senso, no conteúdo.

Esperemos que o Ricardo Salgado não vá  também exigir que se retire a expressão “Branqueamento de capitais” do léxico jurídico.

1 comment

  1. Creio que parte do problema está precisamente no vocabulário que fomos desenvolvendo, adaptamos conceitos ao léxico e resultam coisas do género “mercado negro” para designar venda ilegal de qualquer coisa e “pomba branca da paz” como representante de algo que todos as pessoas de bem desejam… ou a “ovenha negra” ou o “patinho feio” (que é preto), ou “lista negra” ou “magia negra”, enfim… acho que é possível escrever-se um dicionário do racismo só com este tipo de expressões que ligam as pessoas negras com ideias ou conceitos negativos. Parece-me evidente que tudo isto apenas serve para denegrir (olha, outro exemplo) as pessoas de pele negra. Portanto, se nos pusermos na pele (negra) do outro, talvez consigamos perceber o que é viver uma vida inteira a ser incomodado com este tipo de dichotes. O que não queremos para nós, não devemos impor aos outros, nem mesmo se forem negros.

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