Da corrupção à cabala

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Vivemos num país de gente séria e honesta. Felizmente, ao contrário de outros países, não temos cidadãos a ocupar grandes cargos que pratiquem condutas desonestas.

Claro que, não existindo prova para se deduzir acusação, não tendo um processo transitado em julgado, assume-se sempre a presunção de inocência. E isso nunca estará em causa.

No entanto, não deixa de ser curioso que sempre que se fala em corrupção, se fale também de cabala.

Se um presidente de um clube de futebol é suspeito de corrupção logo afirma que se trata de uma cabala levada a cabo pelos clubes rivais na tentativa de desestabilizar e de denegrir a imagem do clube com o objetivo de – através disso – obterem ganhos desportivos.

E, curiosamente, assistimos a uma série de comentadores, nos mais variados canais de televisão, que colocam as mãos no fogo pelos seus presidentes como se soubessem tudo o que está a montante a jusante da administração do clube, incluindo, possíveis actos de corrupção.

Acontece exactamente o mesmo na política.

Se algum político de Esquerda é suspeito de corrupção, rapidamente se veicula a teoria de uma cabala orquestrada pela Direita. Se for um político de um partido mais à Direita, então não passa de um complô da Esquerda para derrubá-lo.

E os comentadores políticos, à semelhança dos desportivos, estão mais preocupados em proteger aqueles que perfilham da mesma cor partidária do que em desvendar a verdade. Aliás, não raras vezes, unem-se para que a mesma seja abafada e nunca mais veja a luz do sol.

E vivemos assim. Atirando pedras para um lado e para o outro. E quando se chega aos tribunais, caso não se consiga premiar nenhum juiz pelo caminho, vamos assistindo, de recurso em recurso, a um autêntico passeio na avenida.

Ainda sonho com um país em que alguém, dominado pela vergonha, tenha a capacidade de assumir que errou e que se predisponha ao cumprimento da pena que lhe couber.

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