Sintra, reciclar o que temos de reciclar

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O Dia Mundial da reciclagem passou e em Sintra não se notou nada. E porquê em Sintra, perguntarão os que vivem longe ou estão mais desatentos? Especialmente porque Sintra é um concelho particular, tão particular que parece sair de um conto dos Irmãos Grimm (como um amigo me costuma dizer), não fosse a sua mística e neblina, como também as suas personagens de conto de criança.

O tema do lixo tem trazido esta idiossincrasia do concelho à vista de todos, ou pelo menos de quem quer ver. E por “à vista” refiro-me à quantidade inarrável de despejos que se acumulam em redor dos contentores de várias freguesias.

A imagem é pública e as redes social são alimentadas diariamente de fotos e relatos. Algo que, por parte dos responsáveis políticos em funções, tem sido recebido tanto com apatia como com silêncio.

Escusado será dizer que não se percebe como não se tomaram medidas para garantir a boa recolha de lixo no concelho de Sintra. Muito menos como é que na atual conjuntura, marcada por uma profunda crise de saúde pública, um dos principais perigos de higiene não é devidamente assegurado.

Estranha-se que do Basílio Horta nada faça sobre esta matéria. Estranha-se que os presidentes de junta (eleitos pelo partido socialista) também não lutem por melhores condições de higiene das populações que deveriam servir. E estranha-se que os militantes do PS em Sintra apareçam a comentar essas fotos, nas redes sociais, falando em falta de civismo da população como se a Câmara nada tivesse que ver com o assunto.

Muito poderia escrever sobre a narrativa de chamar porcos e bárbaros aos cidadãos do concelho de Sintra; aquele tipo de acusação que vemos no atual executivo e que serve sempre de desculpa quando as coisas não correm como deveriam.

A população tem falta de civismo porque com contentores inadequados, avariados ou cheios não consegue despejar o lixo. É inimiga do ambiente porque não recicla quando muitas vezes não há contentores para separar o lixo doméstico. Não podemos aceitar que a culpa nos seja imputada, que sejamos nós os porcos.

É esta narrativa que nos querem vender, se todos formos culpados ninguém tem a culpa! Não aceito, simplesmente não aceito!

As insuficiências da ação executiva de Basílio são sempre culpa de um povo que não é o seu e que considera menor. No caso do lixo isto é patente.

Mas talvez seja a altura da reciclagem também chegar à  politica: ideias sem futuro e promessas sem fim, colocar por favor no ecoponto azul para o papel e papelão, ideias castradoras e salazarista por favor colocar no ecoponto verde, para os vidros.

Ideias tóxicas e enlatadas que poluem o mundo, por favor colocar no ecoponto amarelo para os metais e plásticos. 

Separar, recolher e reciclar é a solução para o lixo urbano. Essa é a tarefa dos municípios. Separar, recolher e reciclar o lixo político é a tarefa dos cidadãos. Neste caso, dos munícipes de Sintra.

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